quinta-feira, 2 de junho de 2011
Decir LLuvia y que llueva
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Medeia
Ainda sob o feitiço esmagador que me provocou a beleza feroz desta Medeia negra, que faz pensar com Heiner Muller que os povos africanos são hoje os únicos que podem tocar de perto a essência do trágico, transcrevo um fragmento do comentário que acompanha a peça:
"No terreno (Burquina Faso)Martinelli descobriu o porquê desta proximidade entre a Grécia Antiga e a África contemporânea: a violência e a guerra, o nascimento balbuciante da democracia e a omnipresença do sagrado na vida quotidiana. (...) É nesta paisagem desoladora que ecoam as imprecações desta feiticeira sedenta de vingança que vai até ao impensável para punir a traição de Jasão."
domingo, 10 de abril de 2011
Todo o mundo é composto de mudança
Dois dos melhores intérpretes de Commedia dell'Arte da actualidade
“Tornar-se-ão Bobos! Farão com que todo o mundo rebente a rir, com que cada temor seja envolto numa explosão de riso!”
Inspirada na tradição popular italiana, Fabula Buffa conta o nascimento do contador de histórias com o seu olhar irónico e grotesco sobre uma realidade nem sempre tranquilizadora. Dois pedintes da época pré-cristã, um paralítico e um cego, são milagrosamente curados contra vontade. São agora obrigados a enfrentar a realidade como as pessoas normais. Esta mudança traumática cria duas reacções opostas que conduzem à mesma trágica decisão: a de se suicidarem, quando eis que inesperadamente surge um outro milagre dos céus..."
Assim se refere a imprensa ao espectáculo brilhantemente interpretado pelos actores italianos Fabio Gorgolini e Ciro Cesarano, que tentaram comunicar em "italinês" com o público do Pequeno Auditório do Teatro Rivoli, hoje à noite, no Porto.
Estranho mesmo foi voltar àquele espaço, tão carismático da vida cultural portuense há uns anos atrás enquanto esteve sob a direcção de Isabel Alves Costa, e senti-lo tão descaracterizado.
sábado, 26 de março de 2011
Dia Mundial do Teatro
"De Holiday pode dizer-se que é uma gentil provocação. Num pacato dia de férias dois estranhos descansam junto a uma piscina. Nada têm para fazer e provavelmente nada têm para dizer. Todavia, sob diálogos aparentemente inconsequentes e longos silêncios, circulam fantasisa íntimas, ansiedades e culpas encapotadas, inquietações que se plasmam em inesperadas canções barrocas, cantadas pelos actores em calções de banho. Uma incursão nas complexidades do chamado "homem simples", feita num frugal quadro cénico, uma das imagens de marca da companhia de Melbourne, a par do primado absoluto de uma representção viva."
Texto inserido no postal
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Originais e cópias certificadas
Concertos, idas ao cinema e ao teatro, início da frequência de um Curso Livre de História da Música.
Das idas ao cinema, destaco "Cópia Certificada", um filme do realizador iraniano Abbas Kiarostami, que valeu a Juliette Binoche o prémio de melhor actriz no Festival de Cannes, filmado numa Toscânia belíssima, embora o foco seja o encontro/desencontro entre um homem, escritor, e uma mulher, galerista.
Noutro registo, mas igualmente a valer a pena "O Mágico", desenho animado construído sobre uma ideia de Jacques Tati, com uma personagem central que se lhe assemelha, realizado por Sylvain Chomet, filme que tinha perdido em Serralves, na abertura da Festa do Cinema Francês.
Vi no TNSJ a mais recente criação do Teatro Meridional "1974", com encenação de Miguel Seabra, que "tem como objecto temático a identidade portuguesa, cruzando três períodos da história de Portugal: Ditadura, revolução de Abril e a entrada na comunidade europeia, reflectindo ainda a nossa contemporaneidade."
Objecto cénico interessante, mas que me deixou insatisfeita. Pouca profundidade? O espectador tem que preencher os espaços em branco? Acredito que para as novas gerações funcione de maneira diferente.
Como se lê no programa, num texto de José Mário Branco "Em tudo quanto fazemos estamos sempre a contar a nossa história pessoal, porque ninguém conta nada a ninguém sem recurso às emoções e só as emoções vividas são emoções comunicáveis".
terça-feira, 1 de junho de 2010
"Magazine Cultural"
Das idas aos espectáculos do 33º FITEI - "Hnuy Illa", "Querida Professora Helena Serguéiévna", e "In Vino Veritas", destaco pela excelência e pelo lado poético, o 1º referido, dos bascos Kukai-Tanttaka.
Das idas ao cinema o surpreendente "Eu sou o Amor", do realizador italiano Luca Guadaguino, com Tilda Swinton, pela beleza, pela herança de uma certa linha "viscontiano- bertolucciana".
Da ida ao 103º Quintas de Leitura - "Casas Kitadas", a participação do colectivo "O Copo", que defendeu criativa e convictamente a poesia de Alexandre O'Neill.
Dos Congressos "Música no Divã", na Casa da Música. Das intervenções de sexta 28, as únicas a que pude assistir por coincidência de agenda, a de Jaime Milheiro pela sistematização e pelos "momentos musicais". Gosto igualmente de "música sem palavras" e de "música com palavras".
Para ilustrar a "música sem palavras" escolheu o "Purgatório", que Gustav Mahler terá composto depois de uma longa conversa com Freud. "A música com palavras" fez-se ouvir nas vozes poderosas de Ella Fitzgerald e de Aretta Frank. Curioso referir que Freud, que tanto apreciava a escultura, a pintura e a literatura não gostava de música, uma vez que lhe acordava emoções que não controlava. Jaime Milheiro considerou a música como "o regresso a casa, à casa da música que é a da voz da mãe, uma das mais caudalosas do universo".
Como continuo a não possuir o dom da ubiquidade,além de não ter podido continuar a ouvir as conferências de sábado, desta feita, o "Imaginarius", em Vila da Feira, ficou de fora...

